Um espaço sem complexos para reflectir sobre as misérias e alegrias de quem vive no subúrbio de grandes cidades, como é Lisboa.
Domingo, 2 de Outubro de 2005
Domingo no Parque
Mais um Domingo cheio de miséria, tristeza, atentados, mas cheio de Sol aqui na Grande Lisboa.

No Parque das Nações, os pais passeam as suas crias, exibindo os seus oculos escuros, que elas usam para proteger do sol e eles para olhar para as mulheres e namoradas dos outros. Afinal, um bom macho latino não pode perder um dia de sol para apreciar umas belas curvas, especialmente se forem as das mulheres que não a sua!

No entanto, fiquei com uma sensação bizarra de que não estava em Portugal por duas razões:

1 - O pessoal andava com um ar muito despreocupado, que nem parecia que amanhã começa a ultima semana de campanha eleitoral para as Autárquicas! Afinal, vamos ter que escolher os politicos que nos vão lixar a vidinha por mais 4 anos!

2 - Havia um número anormalmente elevado de irmãos de língua do outro lado do Atlântico, como se a colónia fossemos nós. No entanto, há algo que admiro neles. São explorados, mal pagos, insultados, mas nas horas livres, a alegria está bem estampada na cara deles e delas. Os sorrisos são de puro gozo de um dia de sol bonito!

Os Tugas estão cada dia mais mal-humorados, mais tristes, mais cabisbaixos, e até tem razões para isso. No entanto, cada dia que passa, parece que o nosso destino é cada vez mais imutável, que o Português não consegue ultrapassar esta letargia que já nem um dia radiante de sol consegue disfarçar!

Até o próprio Parque das Nações é a imagem da decadência a que este País tem vindo a ser votado: bonito, mas abandonado e cercado de cimento. Dá prazer passear por lá, mas há uma aura de abandono não assumido, em que as pessoas tem medo de estragar, mas também não se vê um único jardineiro, mulher de limpeza, segurança, ou outro elemento responsavél pelo zelo do lugar.

O mais triste, hoje ao olhar para o Rio Tejo, é pensar que um dia, quando houver uma cheia que atinja o Parque, ninguém vai correr a recuperá-lo porque não há dinheiro!

Uma das zonas nobres de Lisboa está lentamente a agonizar perante a selva de cimento que se ergue em redor, e que nem os carrinhos de bebé, as bicicletas e os muitos apaixonados conseguem esconder com a sua aura de felicidade.

Já agora, porque é que nunca encontrei ninguém conhecido por lá? Será que sou demasiado suburbano para os meus amigos? Ou apenas sou distraído?


publicado por VitorM às 23:18
link do post | comentar | favorito
|

mais sobre mim
pesquisar
 
Abril 2008
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

21
22
23
24
25
26

27
28
29
30


posts recentes

Mudei de casa

Neve na cidade...

Despede-se um génio...

Curiosidades do Meu País

Preguiças

Chuva? Não, é tempestade ...

Raisparta o sapo...

Amanhã é feriado?

Eclipse

Domingo no Parque

Inauguração do Vista do S...

arquivos

Abril 2008

Janeiro 2006

Novembro 2005

Outubro 2005

tags

todas as tags

links
Quantos já me visitaram?
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds